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Quinta-feira, 23 de Outubro de 2008

Paremos o Genocídio na Colômbia

COORDENADORA ANDINA DE ORGANIZAÇÕES INDÍGENAS - CAOI

Bolívia, Equador, Peru, Colômbia, Chile, Argentina

 

PAREMOS O GENOCÍDIO NA COLÔMBIA

Nos últimos 15 dias foram assassinados 19 indígenas

 

A Coordenadora Andina de Organizações Indígenas, CAOI, alerta a comunidade internacional que o Estado colombiano, administrado pelo governo de Álvaro Uribe, é responsável por um genocídio indígena. A repressão indiscriminada lançada contra os Povos Indígenas colombianos já causou 19 mortes em apenas quinze dias.

 

Articulados na Organização Nacional Indígena da Colômbia, ONIC, os Povos Indígenas deste país estão a desenvolver a Minga [1] de Resistência Indígena e Popular, para chamar a atenção do mundo sobre o atropelo dos seus direitos. O que eles propõem é "um apelo ao mundo para que os seus direitos sejam reconhecidos não só a nível formal mas que se convertam numa realidade". E o governo responde com a repressão e não os protege da acção dos grupos paramilitares.

 

A Minga de Resistência é uma resposta a este genocídio e atropelo dos seus direitos. E tem como actividade central as mobilizações pacíficas dos Povos Indígenas em todo o país. O governo de Uribe respondeu com a repressão, que forma parte da sistemática criminalização das exigências indígenas: incursões violentas nos seus territórios, estigmatização do seus líderes como terroristas, detenções, torturas, assassinatos, desaparecimentos e deslocações forçadas.

 

Todo isso já foi comprovado e denunciado pelo Tribunal Permanente dos Povos, que como resultado da sua Audiência sobre Genocídio Indígena realizada na reserva indígena [2] Kankuamo, Sierra Nevada de Santa Marta, Colômbia, nos dias 18 e 19 de Julho de 2008, emitiu uma Acusação que diz textualmente:

 

"Acusar o Estado colombiano e o governo de Álvaro Uribe Vélez, pelo cometimento de graves violações dos direitos colectivos e individuais dos Povos Indígenas da Colômbia, que se concretizam na implementação de políticas de extermínio, genocídio, etnocídio e deslocação dos Povos Indígenas".

 

A sistemática violação dos direitos indígenas é implementada para favorecer a expropriação dos seus territórios a fim de os entregar às multinacionais extractivas. Mais uma vez, se prova que os Estados Uninacionais estão ao serviço dos interesses das empresas transnacionais.

 

O mais grave é que se anuncia ainda mais repressão. ADVERTIMOS O MUNDO DE QUE HÁ UM MASSACRE EM AMADURECIMENTO NA COLÔMBIA E QUE DEVEMOS PARÁ-LO.

 

A CAOI apela ao presidente colombiano Álvaro Uribe, para que cessem estes actos criminosos contra os Povos Indígenas. Assim como apelamos às organizações indígenas do continente, aos organismos de Direitos Humanos, aos fóruns internacionais (Comunidade Andina, UNASUR, OEA, ONU), a pronunciarem-se de imediato para parar o genocídio indígena na Colômbia, e assinalar que é responsabilidade do Governo colombiano proteger os direitos de todos.

 

Lima, 14 de Outubro de 2008.

 

Miguel Palacín Quispe

Coordenador Geral CAOI

 

[1] Uma minga, também chamada minka (na língua quechua) ou minca ou até mingaco, é uma tradição andina de trabalho colectivo com fins sociais. De origem pré-colombiana, esta tradição coloca o trabalho comum ao serviço de uma comunidade, de uma aldeia ou de uma família, em determinados momentos onde seja necessário um esforço importante: colheitas agrícolas, construções de edifícios públicos, mudanças. Ela é praticada em particular no Peru, no Equador, na Bolívia e no Chile. Existem práticas equivalentes noutros locais: no Haiti são chamadas koumbit (do francês 'coup de main'), nas ilhas Comores mranda (do francês 'rendez-moi service'), em Marrocos tawaza ou tawiza.(NdR)

[2] O termo 'resguardo' designa um território indígena no qual os habitantes são os proprietários colectivos, reconhecidos pelo Estado, nas antigas colónias espanholas das Américas; (NdR)

 

Texto publicado em www.minkandina.org a 14 de Outubro de 2008. Tradução de Alexandre Leite para a Tlaxcala.

publicado por Alexandre Leite às 19:00
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Sábado, 11 de Outubro de 2008

12 de Outubro: nada para celebrar!

Os que estão no poder necessitam e promovem uma base ideológica para que a classe trabalhadora se sinta identificado com o seu projecto político, e conseguir assim um apoio popular para pôr em prática políticas anti-sociais e de corte de direitos, as quais servem para se perpetuarem no poder. Um pilar fundamental dessa sustentação ideológica é o espanholismo, que consiste num nacionalismo reaccionário que afirma e exalta a ideia de Espanha como nação superior, negando aos povos, tanto dentro como fora do Estado espanhol, a sua identidade cultural e a luta pela sua soberania e autodeterminação. Assim, tenta-se anular a consciência de classe dos trabalhadores e promover valores não solidários entre os povos. Por isso no dia 12 de Outubro não temos nada para celebrar.

A celebração do 12 de Outubro foi criada por ideólogos do franquismo sob o nome de “Dia da Raça” para relembrar a época da sua tão saudosa Espanha imperial. Apesar de já não vivermos na ditadura continua-se a celebrar a mesma data, se bem que foi maquilhado o nome e alterado para “Dia da Hispanidade”. Mas no essencial o que acontecia naquela época é o que continua a acontecer em 2008: vemos como continua a atitude dominadora perante o continente latino-americano; vemos como continua a exaltação do militarismo com os desfiles do Exército espanhol sob a supervisão do Rei nomeado por Franco; vemos como se sucedem as agressões ultra-direitistas com o amparo da indiferença cúmplice das autoridades; vemos como os políticos e os meios de comunicação continuam atiçando a população para que se sintam “muito espanhóis” no quadro das competições desportivas internacionais, e se esqueçam assim da sua realidade quotidiana na qual a crise económica cada vez mais impõe mais dificuldades para chegar com tranquilidade ao fim do mês. Assim aconteceu no Campeonato Europeu de Futebol ou nas Olimpíadas, e assim aconteceu também este ano na campanha institucional em Móstoles a propósito do 2 de Maio, infestando as ruas com bandeiras de Espanha, se bem que colectivos sociais tenham denunciado que essa “exaltação patriótica” escondia a galopante política de especulação urbanística nesta localidade.

Os ideólogos do espanholismo, a reacção e a burguesia pretendem fazer de Madrid, como capital do estado, o eixo da sua política reaccionária, por isso aqui se torna tão necessária a resposta dos sectores mais consciencializados da sociedade.

Apesar dos meios de propaganda nos tentarem fazer crer que celebramos o descobrimento de um novo continente, o certo é que a data de 12 de Outubro comemora o início do vergonhoso espólio dos recursos naturais da América Latina durante mais de 500 anos, assim como o extermínio e a escravização de povos indígenas inteiros. Portanto o 12 de Outubro só pode ser celebrado por aqueles que beneficiam do massacre e roubo de recursos na América Latina, que continua na actualidade através do domínio económico que ainda exercem na zona as multinacionais espanholas. O BBVA e o Banco Santander têm as maiores franquias bancárias da região; a Repsol possui a YPF, a maior petrolífera argentina; a Telefónica controla os principais grupos telefónicos do Brasil, Venezuela, Chile e Peru; ao passo que a Endesa é o operador eléctrico privado mais relevante do conjunto da América Latina. Desde Rio Grande, no México, até à Terra do Fogo, na Argentina, encontram-se empresas com ADN espanhol. Felizmente, dia a dia é fortalecida a luta popular dos distintos povos da América Latina que permitem olhar para o continente com um ar de esperança na sua contribuição para um mundo mais justo.

Para além disso, o colonialismo continua presente com a participação militar na OTAN ou apoiando os massacres imperialista no Iraque, Afeganistão ou Palestina, enquanto se atraiçoam as legítimas aspirações do povo sarauí.

A soga exploradora que aperta o pescoço dos povos do sul leva a que tantas pessoas se vejam diariamente obrigadas a abandonar os seus respectivos locais de origem, e como se isso fosse pouco, ao chegar aos países do norte, centenas de imigrantes vêem-se encurralados pela repressão da polícia, pelos centros de detenção, pelas expulsões que se estimulam através da nova e infame “Directiva de Retorno” ou pelo racismo avivado pelos meios de comunicação e pelas leis de estrangeiros. E se ainda fosse pouco, o machismo que rodeia os valores “patrióticos” do 12 de Outubro traduzem-se em redes de cuidados onde as mulheres imigrantes vêm para o Estado espanhol para cuidar dos nossos filhos e idosos em condições totalmente precárias.

Esse imperialismo espanhol culpado de tanto genocídio também tem expressão interna e também golpeia os sectores lutadores do estado espanhol. O quadro político vigente na actualidade, surgido de um vergonhoso pacto de silêncio na chamada transição e que não supôs nenhuma ruptura com o passado franquista, continua a praticar os mesmos métodos utilizados durante séculos pelo imperialismo espanholista sob um disfarce de aparente democracia.

Um exemplo evidente é a imposição de facto de um autêntico estado de excepção em Euskal Herria. Amparada pela “cruzada anti-terrorista”, uma feroz campanha política, judicial e mediática tenta fazer parecer normal o uso continuado da tortura, as ilegalizações de organizações políticas, a celebração de mega-julgamentos sem garantias processuais, o encerramento de jornais, a proibição de manifestações, o acosso e prisão dos que propõem uma solução mediante o diálogo e a negociação... Uma política de vencedores e vencidos que esconde uma vulneração sistemática dos mais elementares direitos das pessoas.

O recrudescimento da repressão é patente também noutros lugares do Estado espanhol: petições de prisão contra activistas libertários, julgamentos e perseguição dos que queimam bandeiras espanholas e fotos nos Països Catalans; dos que fazem bonecos monárquico ou lutas sociais na Galiza; apreensão de bandeiras republicanas, ... etc. Aqui em Madrid, a raiz do assassinato de Carlos Palomino, temos observado uma alarmante escalada repressiva com proibições de manifestações, cargas policiais, detenções de activistas, pedidos de ilegalização contra colectivos antifascistas e anticapitalistas... Para além disso, a terrível mas valente greve de fome do preso anarquista Amadeu Casellas, assim como os ataques incendiários contra centros sociais em Madrid e Guadalajara, são uma prova mais de que a coacção e as ameaças formam parte do controlo social quotidiano.

Ante o 12 de Outubro militarista e não solidário, propomos a convivência entre as culturas, entre os povos, entre as pessoas. Acreditamos na auto-organização nos bairros, nos centros laborais e de estudo, para lutar pela defesa dos nossos direitos mais elementares como a educação, a saúde e o trabalho em condições dignas. Acreditamos que a autogestão económica e o apoio mútuo são formas de tomar livremente as rédeas dos nossos destinos. Reivindicamos o direito a discrepar, a protestar e a rebelarmo-nos contra as supostas verdades marteladas sistematicamente na televisão mas que muito têm a ver com os interesses dos grandes empresários e pouco com a realidade da classe trabalhadora, seja nativa ou estrangeira.

Ante a celebração de um 12 de Outubro dos de cima à direita, propomos um 12 de Outubro dos que estão abaixo à esquerda, construindo diariamente a dignidade e a mudança social.
 

12 de Outubro: Nada para celebrar! O massacre continua.

Pela autodeterminação e pela convivência entre os povos.



Convocam:
Asociación Cultural Castilla Comunera;
Colectivo de Ciudad Lineal por la III República;
Colectivo La Plataforma;
CSOA La Fábrika; CSOA La Traba; CSOA 1924;
Plataforma por la Paz, los Derechos, el Diálogo
y la Negociación; UJC-M;
Vallekas Barrio Rebelde; Yesca; 13 Rosas.
Apoia:
Coordinadora Antifascista de Madrid
 

12 de Outubro, manifestação em Madrid

 

Texto publicado em Madrid Antirracista a 24 de Setembro de 2008. Traduzido por Alexandre  Leite para a InfoAlternativa.

publicado por Alexandre Leite às 12:00
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