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Quarta-feira, 3 de Novembro de 2010

Aviso de tempestade sobre a Europa

Aviso de tempestade sobre a Europa: contra as revoltas lógicas, usam-se os mesmos bodes expiatórios de sempre

 

Angela Merkel, a chanceler com mão de ferro mas com luva de veludo, proclamou, neste sábado em Potsdam, que a sociedade multicultural – que os alemães chamam de «multikulti» - estava morta e enterrada, que tinha fracassado. Ela procurou amenizar a

violência da sua afirmação acrescentando que «O Islão faz parte da Alemanha», mas esclareceu que «os que não partilhem os nossos valores cristãos» terão de pensar ir para outro lado.


Nicolas Sarkozy tinha, em Julho passado, lançado a caça aos ciganos, decretando-os como «mendigos agressivos» e delinquentes «parasitas» dos serviços sociais.


O governo Berlusconi inventou a expulsão dos mesmos estrangeiros «parasitas», aqui também os ciganos, caso vivessem à custa do Estado.

 

Em Viena, capital do defunto Império dos Habsbourg, os eleitores elegeram 27 dos 100 conselheiros municipais da lista do partido dito «liberal» FPÖ, dirigido pelo sinistro imitador de Jörg Haider, H.C. Strache, que fez uma campanha abertamente racista e xenófoba. A questão é agora a de saber quem conseguirá uma maioria para governar a cidade: os sociais-democratas com os verdes, ou então os conservadores com os «liberais»?

 

Todos estes discursos retumbantes, com um forte odor fascista, têm apenas um objectivo: tentar desviar a atenção para os habituais bodes expiatórios, os estranhos estrangeiros vindos de fora «que não vivem, não pensam, não reagem como nós». Os verdadeiros problemas são efectivamente outros: os planos de austeridade que, por toda a Europa, reduzem as possibilidades de viver decentemente de um número crescente de pessoas; os projectos de reforma dos regimes de pensões; os milhões gastos em construções faraónicas e as prendas sumptuosas dadas aos bancsters; as deslocalizações de empresas para os novos paraísos capitalistas da Ásia; a falta de perspectivas para uma grande parte da juventude estudantil etc.




Rirá melhor quem rir por último.

 

 

Na Alemanha, foi a campanha eleitoral para as eleições regionais de Março de 2011 que de facto começou com o discurso de Merkel em Potsdam. A Angie sabe muito bem que vai perder Estugarda e Bade-Wurtemberg, bastiões históricos do Centro católico e do seu sucessor, a CDU, onde o seu eleitorado está prestes a transformar-se num exército de cidadãos resistentes ao projecto da estação Estugarda 21, com um custo previsto de 8 a 10 mil milhões de euros. As bondosas burguesas enfeitadas com colares de pérolas estão prestes a transformar-se em enraivecidas verdes e vermelhas! A conversa dos «nossos valores cristãos» só deverá fazê-las rir.

Em França, foi a campanha eleitoral para as presidenciais de 2012 que começou, sobre um fundo de revolta social que arrisca atingir a amplitude do movimento de 1995 contra a reforma Juppé da Segurança Social. Atirando para a ribalta sua opinião sobre os ciganos, Sarkozy, longe de fazer rir, provocou a ira dos franceses, independentemente da sua origem, e com a desaprovação de todos, desde a ONU ao Vaticano.

Em Itália, Berlusconi agarra-se ao poder e proclama que pretende manter-se no cargo até 2013. A passividade e a inércia da «esquerda» institucional está prestes a ser ultrapassada pelos sindicatos operários e pelos movimentos de cidadãos, bem como por numerosos intelectuais e artistas conhecidos.

Na Áustria, a sociedade civil, paralisada pela operação de «repatriamento» da jovem kosovar Arigona Zogaj, está em vias de se reerguer e de assumir a defesa dos menores estrangeiros ameaçados de deportação. O governo social-democrata, para deitar água na fervura, acabou de destituir o chefe da polícia, o qual, no entanto, apenas executava as ordens que tinha.

O chamado «debate sobre a integração» não é mais do que areia para os olhos. Não adianta entrar por aí que isso já está muito batido. Já há muito tempo que os imigrados, os seus filhos e netos, estão integrados. Eles estão integrados como trabalhadores, como desempregado, como estudantes, como consumidores, como cidadãos contestatários, e mesmo como eleitores.

Era bom que os políticos europeus acabassem por se render à evidência constatada há muito por Max Frisch: «Nós importámos mão-de-obra. Foram homens que vieram».


"Nós somos a Alemanha"

 

Texto de Fausto Giudice publicado no Basta! a 18 de Outubro de 2010. Tradução de Alexandre Leite para a Tlaxcala.

publicado por Alexandre Leite às 12:00
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Quarta-feira, 28 de Julho de 2010

O Príncipe muda de pele

As serpentes mudam de pele periodicamente. Vendo a história recente de Itália, e perante o que vem acontecendo há alguns meses, dá a sensação que também o Príncipe, esse poder oculto que domina, como sustenta Roberto Scarpinato, a história de Itália desde sempre, está em pleno período de muda de pele ou de troca de vestuário.

 

 

Sabe-se que o braço direito de Berlusconi está condenado, estando ainda a decorrer o recurso, a sete anos por cumplicidade com a máfia; demitiram vários ministros por corrupção; destapou-se uma “rede gelatinosa”  de corrupção que afecta ministros, políticos, empresários, juízes, altos prelados, agentes dos serviços secretos e jornalistas; soube-se da existência de uma nova sociedade secreta que pretendia condicionar os membros do Tribunal Constitucional. Anteontem houve a demissão do Secretário de Estado de Economia, Nicola Cosentino, acusado desde há um ano pelos juízes de Nápoles de ser o referente político do clã mais importante da Camorra. Também anteontem se publicaram escutas desta sociedade secreta em que mencionavam um tal "César", e segundo escrevem os polícias, "César" é Berlusconi.
Unidas as tesselas do mosaico, vê-se claramente que governa um sistema criminoso, que tem contactos com a criminalidade organizada. Não é o Berlusconi ser de direita. Não valem os adjectivos de sempre. Berlusconi representa a institucionalização do acesso ao poder do crime organizado, entendido como alta burguesia mafiosa -colletti bianchi, colarinhos brancos - com contactos com a “baixa” máfia. No pós-guerra, a Itália, para evitar o “perigo” comunista, converteu-se pouco a pouco numa democracia mafiosa. Com a chegada de Berlusconi ao poder, converteu-se primeiro numa ditamole mafiosa, esvaziando de poder legislativo o Parlamento e governando à base de decretos-lei e moções de confiança. Durante este período Berlusconi aprovou 41 leis ad personam. O Parlamento esteve atarefadíssimo cuidando dos interesses pessoais de Berlusconi. Hoje, este sistema de governo dá mais um passo e, a julgar por essa pressa que têm na aprovação da "lei mordaça", aposta numa ditadura mafiosa sem rodeios, sistema que nem sequer os pós-fascistas, que ainda têm algum sentido de Estado e de ideologia política, estão dispostos a admitir.
Digo democracia ou ditamole mafiosa porque uma ou duas vezes por ano costumamos ler alguns dados sobre a facturação das máfias em Itália. O título costuma ser sempre o mesmo: “A máfia é a empresa que mais factura em Itália”. Em 2007, segundo um dossiê da associação de comerciantes Confesercenti citado pelo procurador geral antimáfia, a cifra ascendia a 90.000 milhões de euros, isto é, 7% do PIB. No passado dia 2 de Março, o presidente da Comissão Antimáfia do Parlamento italiano afirmava que a cifra oscilava entre 120 e 140.000 milhões de euros “segundo as estimativas mais prudentes”, o que equivale ao PIB da Roménia. Um negócio florescente que, sendo estes dados correctos, teria crescido 50.000 milhões -uns 65%, mais de 20% ao ano, em 3 anos de dura crise. Estamos perante um sistema económico que dificilmente se poderá mudar da noite para o dia.
Ainda que a imprensa tenda a retratar a máfia como um assunto de baixa criminalidade, a dimensão desse enorme e crescente negócio obriga a pensar que há um fortíssimo poder que se move na sombra e que manobra sem dúvida os cordelinhos do grande teatro da política. As provas da existência desse poder que todo a gente conhece mas ninguém vê existem precisamente graças às escutas telefónicas, que se converteram, abrandadas que foram as penas duras contra os mafiosos e desincentivado o arrependimento de mafiosos, no único instrumento da magistratura para combater o lado obscuro do poderoso poder.
Como dizíamos, para encobrir o modus operandi do Príncipe, Berlusconi e os seus engendraram a última lei vergonhosa conhecida como a “lei mordaça”. Esta lei actua em dois sentidos, por um lado restringe o Ministério Público e a polícia judiciária de poderem realizar escutas; e por outro lado cerceia a liberdade de publicar as ditas escutas sob pena de multas altíssimas e inclusivamente de prisão. Frank La Rue, especialista da ONU, declarou que a iniciativa, que entre outras medidas pretende limitar a publicação das intercepções telefónicas, constitui uma ameaça à liberdade de expressão. Houve uma greve importantíssima em Itália pela liberdade de expressão, à qual Berlusconi, Presidente do Conselho de Ministros, respondeu dizendo o seguinte: "Uma imprensa que desinforma, que não apenas distorce a realidade, mas que também pisa sistematicamente o sagrado direito à privacidade dos cidadãos invocando a 'liberdade de imprensa' como se se tratasse de um direito absoluto. Mas em democracia não existem direitos absolutos, já que todos os direitos encontram um limite noutros direitos igualmente válidos". Estas declarações suscitaram grande escândalo, sim porque são graves, mas a chave de leitura desta lei não está no ataque à liberdade de expressão. Por acaso se pode afirmar que durante estes 16 anos de império do conflito de interesses em Itália houve tal liberdade? Por acaso não é certo que muitos jornalistas italianos têm a mordaça posta há anos? Berlusconi pode ser molestado pelos jornais livres, mas não lhe faz falta essa lei mordaça, basta-lhe retirar a 90 cooperativas as subvenções estatais e teriam de encerrar. Que o digam os colegas do Il Manifesto, que se manifestaram ontem perante o Parlamento para denunciar a sua situação. A Berlusconi interessa-lhe só a privacidade de Príncipe; que ele possa fazer e desfazer o que lhe der na gana, sem se preocupar com uma magistratura que esteja a escutar a suas feitorias ou com uma imprensa lhes dê eco depois.
Cartoon  Berlusconi Itália
Cartoon de Riber Hansson, Svenska Dagbladet, Suécia
As escutas mostram que a pele do Príncipe está prestes a cair. Que aspecto terá a nova pele do Príncipe?   Continuará a ser a de um Berlusconi finalmente ditador se conseguir que seja aprovada a "lei mordaça"? Será, como propunha ontem D'Alema, a pele de um conglomerado que conte com o apoio dos pós-fascistas do Fini mais os democratas-cristãos de Casini mais o centro-esquerda do PD: um “o-que-quer-que-seja” mas sem Berlusconi? Um governo técnico com uma ampla maioria com Giulio Tremonti, actual ministro da Economia, como presidente? Simplificando: ditadura mafiosa ou retorno à democracia mafiosa sem Berlusconi?
Cartoon  Berlusconi Itália
Cartoon de Riber Hansson, Suécia
Nem um nem outro, claramente. A esquerda ficará em minoria outra vez ao não aceitar tamanha alternativa, pois o que a esquerda jamais aceitará é que o sistema tenha de ser forçosamente mafioso. Surge então a pergunta que foi feita ao juiz Giovanni Falcone antes de o matarem: pode-se vencer a Máfia? Respondeu Falcone: sendo um feito humano, a Máfia tem um princípio e há-de ter um fim. O magistrado antimáfia Nicola Gratteri, especialista em 'Ndrangheta que vive sob escolta desde 1989, mostrava-se céptico  num destes dias e dizia que enquanto houver homens, haverá Máfia. O que não obsta a que se lute contra ela. Afirmou Gratteri que não basta repressão  militar: fazem falta, em primeiro lugar, medidas políticas como alterar o código penal, o código de procedimento penal e o ordenamento penitenciário. Em suma, a batalha contra a máfia, segundo ele, não será somente militar mas também social e cultural. A batalha deve centrar-se na conveniência económica, não ética, de não pertencer às máfias.

Já há minorias que combatem dia-a-dia estas máfias, e não com palavras mas com acções. Voltemos a Scarpinato para concluir. O autor de Il ritorno del Principe recordava há pouco tempo que os momentos mais destacados da história de Itália foram protagonizados por minorias. Minoria eram os mil de Garibaldi. Minoria era a Resistência antifascista. Minoria era a elite que escreveu a Constituição. Minoria é hoje a esquerda sem representação parlamentar. Minoria são os políticos jovens do PD que não aceitam um governo de realpolitik (mafioso). Minoria são os trabalhadores da FIAT de Pomigliano que não aceitaram a chantagem que lhes impunham: queres trabalhar a ritmo "chinês" ou preferes ficar parado em terra da Camorra? Minoria são os sindicalistas da FIOM da FIAT de Melfi que foram despedidos como represália por terem participado na greve. Minoria são os precários. Minoria é o que não é maioria nem "zona cinzenta". Minoria são os hospitais da Emergency, a associação Libera contra as máfias, o comité Addio Pizzo, que liberta a economia do imposto mafioso, o Fórum italiano de movimentos pela água pública, o observatório Antigone que cuida do respeito pelo direito nas prisões, os movimentos pelo direito à habitação como a Action, a defesa do património da PatrimonioSOS, a informação da Antimafia 2000, Megachip, Lettera 22, Peace Reporter, Radio Città Aperta, Fortress Europe, Giornalismo Partecipativo e tantos e tantos outros. Minoria são os que fazem e não apenas falam.

 

 

Texto de Gorka Larrabeiti publicado na Tlaxcala a de 17 de Julho de 2010. Tradução de Alexandre Leite para a Tlaxcala.

publicado por Alexandre Leite às 12:00
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