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Desde as 2 horas da tarde de 3 de Outubro começou uma cobertura mediática continua em todos os meios de comunicação dominantes sobre a perseguição de um automóvel que aconteceu numa zona de alta segurança em Washington, D.C. A perseguição foi feita a uma condutora que embateu contra as grades em frente da Casa Branca e do Capitólio. As câmaras televisivas focaram-se numa mobilização total da polícia metropolitana de D.C. e do Capitólio, bem como do FBI e outras agências federais.
Houve um sem fim de comentários sobre a ameaça à vida dos polícias, que estiveram sempre com as suas armas a postos, provocada por uma condutora que usou o seu carro como “uma arma”. Depois do carro ter embatido novamente e quando a condutora estava a sair, vários polícias dispararam repetidamente, matando a condutora.
A condutora era uma higienista oral de 34 anos, de seu nome Miriam Carey, de Stamford, Conn. Foi atingida tantas vezes que demorou mais do que o normal para ser identificada. Esta afro-americana, mãe de um bebé de 13 meses – que também estaria na viatura – tinha perdido o emprego em 2012. A sua família e o seu namorado disseram que ela estava a tomar medicação para a esquizofrenia, desordem bipolar e depressão pós-parto.
Quando saiu do automóvel para o seu último suspiro, não trazia nenhuma arma. Muito se falou sobre a ameaça a que a polícia esteve sujeita, mas apenas dois polícias ficaram ligeiramente feridos.
Durante todo o dia, a imprensa especulou sobre se isto teria sido um atentado terrorista ou se era alguém que estava contra o encerramento do governo, que entrava no seu terceiro dia a 3 de Outubro. Uma questão que os meios de comunicação não fizeram foi por que é a polícia não disparou contra os pneus em vez de disparar contra Carey?
Depois de Carey estar morta, disseram que o incidente era um caso “isolado”.
Mas será que foi mesmo um incidente isolado? Nem por isso. Há muitos casos, e mais ainda haverá, de pessoas que sofrem de doenças mentais e que, em vez de receberem o tratamento adequado que merecem por serem membros da nossa Humanidade, são enviados para prisões. Uma reportagem da National Public Radio estima esse número em 350 mil.
Esta falta de tratamento é devida ao encerramento sistemático de hospitais que se soma ao desemprego, a salários baixos, falta de habitações, cortes mortíferos na ajuda alimentar, etc. Tudo isso leva muita gente a comportamentos antissociais porque todas as possíveis saídas positivas de terem uma vida saudável foram tapadas por um sistema guiado pelo lucro que está agora em crise. Tem-se falado muito sobre o Obamacare [possível criação de um serviço de saúde público], mas entretanto há milhões de pessoas, especialmente afro-americanos, indocumentados, e os pobres em geral, que continuam sem nenhum serviço ou seguro de saúde.
Há outros, que como Miriam Carey, por causa do seu comportamento errático, mesmo que não seja ameaçador, tombaram à mercê de uma mentalidade de atirar a matar por parte da polícia e outras forças repressivas a nível local, estadual e federal. Esses presos e essas vítimas são muitíssimos mais do que a mão cheia de pessoas com doença mental que representaram de facto uma ameaça. E essas ameaças – pensem nos recentes massacres – podiam ter sido evitadas se esses indivíduos tivessem recebido adequado tratamento de saúde mental.
Miriam Carey não merece ser diabolizada. Ela não exibiu um comportamento criminoso. O comportamento errático que possa ter demonstrado não justifica a sua chacina. O comportamento criminoso pretence à polícia e aos meios de comunicação das grandes corporações que defendem os actos dos polícias quando se trata de proteger a propriedade privada do status quo e dos seus políticos fantoches. Entretanto, outra criança perdeu a sua mãe num instante de violência estatal sem sentido.
Texto de Monica Moorhead publicado na Workers World a 4 de Outubro de 2013. Tradução de Alexandre Leite.
Até há pouco tempo, a repressão no Peru eram mais leis do que acções.
A legislação do APRA, partido de Alan García, com o apoio fundamental da ultra-direitista Unidad Nacional, do partido de Fujimori que está a ser julgado por inúmeros crimes, e sem oposição parlamentar consequente, foi lançada com toda a sua força anti-popular.
A lei ordena que o exército cumpra funções policiais, assinala as acções de protesto popular como delinquência e autoriza os polícias a matar impunemente.
A legislação está feita para amedrontar o povo, que naturalmente ia protestar pela condução do governo ao serviço incondicional das grandes empresas multinacionais e totalmente contra a população peruana e contra o meio ambiente.
No entanto, a reacção do povo foi vencer o medo e lançar-se à luta, das últimas mobilizações, a mais forte foi a greve camponesa.
Os camponeses estão a ser esmagados pela subida do custo de vida agravado pela miséria que recebem pelos
seus produtos, pela ausência de crédito, pela subida dos preços dos fertilizantes, etc.
O governo, que falou muito do projecto da “Serra exportadora”, o que faz na prática (com a sua assinatura do Tratado de Livre Comércio com os Estados Unidos, que subsidiam a sua agricultura) é a política agrária do “Peru importador de produtos agrícolas”.
A greve camponesa foi confrontada com a aplicação da legislação repressiva: a polícia disparou à cabeça dos manifestantes, os cadáveres das vítimas da repressão apresentam dois ou três orifícios de bala na nuca, o que indica que os disparos vieram de trás. Contra a versão da própria polícia que apesar de reconhecer que os mortos foram atingidos por balas, o Ministro do Interior, Luís Alva, responsável político dos assassinatos, diz, sem nenhuma prova, que os manifestantes foram mortos por armas caseiras e que noutros casos os manifestantes tiraram armas à polícia para se matarem uns aos outros.
Sabemos que apesar de as suas mentiras serem flagrantes, ele não será censurado, pois a maioria do parlamento, sejam os deputados de que partidos forem, está de acordo com a necessidade de fazer tudo o que seja possível para defender as grandes empresas multinacionais contra os protestos populares.
São múltiplas as agressões dirigidas contra o povo, sendo a fundamental a defesa política, jurídica e policial das empresas mineiras multinacionais contra a população e a natureza peruanas.
Para além disso, o governo tem um projecto para tirar as terras às comunidades camponesas, com a chamada “lei da selva” que privatiza a região amazónica sem respeitar as populações que a habitam e que trará como consequência a espoliação da zona, quer privatizar a água, os portos, ataca o ensino, não cumpre promessas feitas de aumento de salários para os funcionários públicos, inicia a privatização do nosso património arqueológico, etc.
Perante os protestos pela subida do custo de vida, o governo, por intermédio de Mulder, Secretário Geral do Apra, responde que Chávez, o presidente venezuelano, tem a culpa da fome no Peru.
Criminalização dos protestos
O Ministério Público informou que denunciou e pediu a detenção de 207 pessoas pela greve camponesa e que em Huaura foram sentenciadas 33 delas.
Foram abertos processos contra muitos outros lutadores sociais, entre eles o coordenador da Assembleia Regional de Cusco e o dirigente do Sindicato da Construção Civil de Cusco, pelas paralisações e mobilizações do povo de Cusco em defesa do seu património cultural. O ex-candidato à presidência, Ollanta Humala, é acusado de fazer estas mobilizações, sem que ele tenha alguma coisa a ver com elas.
Há muitos outros que foram processados por diferentes lutas a nível nacional.
A última
Agora somos surpreendidos com a prisão de 7 presumíveis terroristas em Tumbes, na fronteira com o Equador, que “preparavam acções terroristas contra as cimeiras que se vão realizar no Peru (em Maio vão reunir-se os chefes de Estado europeus e americanos na Cimeira UE-América Latina e Caraíbas e em Novembro haverá uma reunião do Fórum de Cooperação Económica Ásia-Pacífico (APEC)) e dizem que teriam relações com as FARC da Colômbia e com o MRTA do Peru”.
Quem são estes terríveis “terroristas”?
Gente que regressava ao Peru depois de ter assistido a uma reunião pública em Quito, que culminou com uma manifestação pelas ruas da capital equatoriana, o “Segundo Congresso da Coordenadora Continental Bolivariana”, levado a cabo entre 24 e 28 de Fevereiro, com a presença de delegações de vários países do continente, entre os quais do Peru, Chile Uruguai, Brasil, Equador, Colômbia, Venezuela, México, Porto Rico e República Dominicana, bem como delegações europeias da Alemanha, Itália e País Basco.
Nota-se claramente que é uma ordem de Bush acatada fielmente por Alan García, pois um dos pedidos da reunião é o reconhecimento das FARC colombianas como força beligerante, para facilitar as conversações com vista à pacificação da Colômbia, o que não quer dizer necessariamente uma identificação nem um contacto com as FARC.
Que saibamos, em mais nenhum outro país se prenderam pessoas presentes na dita reunião com a acusação de “perigosos terroristas”.
Solicitamos à opinião pública nacional e internacional que esteja atenta a este aumento da repressão no Peru e que se manifeste de todas as formas possíveis contra ela e em solidariedade com as justas exigências do nosso povo, vítima da submissão do regime às empresas multinacionais. 4 de Março de 2008.
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